Setor registra maior volume de lançamentos e vendas da série histórica, mesmo em cenário de juros elevados; programa habitacional foi decisivo para o desempenho positivo
O mercado imobiliário brasileiro encerrou o ano de 2025 com números inéditos, mesmo diante de um cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e custo de financiamento mais caro. Dados consolidados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam crescimento expressivo em lançamentos, vendas e volume financeiro movimentado pelo setor, reforçando a resiliência da demanda por moradia no país.
Em 2025, foram lançadas 453 mil unidades residenciais, alta superior a 10% na comparação com o ano anterior. O Valor Geral de Lançamentos (VGL) atingiu aproximadamente R$ 292 bilhões, configurando o maior patamar já registrado na série histórica do setor.
As vendas também avançaram e superaram 426 mil unidades comercializadas, refletindo uma absorção consistente da oferta, mesmo com crédito mais restritivo. O estoque final permaneceu equilibrado, com tempo médio de escoamento inferior a 12 meses — indicador considerado saudável por especialistas da construção civil.
O desempenho recorde teve como principal vetor o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que respondeu por mais da metade dos lançamentos e vendas em determinados trimestres do ano.
No acumulado de 2025, o programa somou mais de 220 mil unidades lançadas e quase 200 mil comercializadas, consolidando-se como instrumento estratégico tanto para redução do déficit habitacional quanto para estímulo à atividade econômica.
Representantes do setor avaliam que o fortalecimento das faixas de renda atendidas pelo programa ampliou o acesso ao financiamento e garantiu previsibilidade às incorporadoras.
O crescimento ocorreu em um ambiente de taxa Selic elevada, próxima de 15% ao ano durante parte de 2025, o que encareceu o crédito imobiliário tradicional. Ainda assim, a demanda se manteve ativa, especialmente no segmento econômico e em regiões com expansão urbana e geração de empregos.
Especialistas apontam que consumidores priorizaram imóveis como forma de proteção patrimonial e investimento de longo prazo, diante das incertezas macroeconômicas.
Outro destaque foi a diversificação geográfica do crescimento. Capitais do Nordeste, cidades do interior paulista e municípios do Sul do país ganharam protagonismo, impulsionados por infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida.
A interiorização dos lançamentos reforça uma tendência observada nos últimos anos: a descentralização dos grandes centros como únicos polos imobiliários.
Para 2026, a expectativa do setor é de crescimento moderado, condicionado principalmente ao comportamento da taxa de juros e à manutenção de políticas de estímulo habitacional.
A possível redução gradual da Selic pode ampliar o acesso ao financiamento e favorecer novos ciclos de lançamentos. Ao mesmo tempo, incorporadoras devem manter postura cautelosa, priorizando projetos alinhados à demanda real e à sustentabilidade financeira.