Crédito imobiliário para a classe média deve ganhar fôlego em 2026

Após um ano de juros altos que restringiram o acesso ao financiamento, 2026 tende a trazer mais crédito para a classe média com queda gradual da Selic, novas regras e maior oferta de recursos 

O crédito imobiliário para a classe média no Brasil projeta recuperação em 2026, depois de um período em que os altos juros repercutiram na retração do crédito e na postergac?a?o de projetos de compra da casa própria. A expectativa de queda gradual da taxa básica de juros (Selic), combinada com mudanças nas regras de financiamento e a liberação de mais recursos ao mercado financeiro, é apontada como um dos principais vetores dessa retomada.

Contexto de 2025 e desafios atuais

Em 2025, o crédito imobiliário enfrentou um cenário adverso com a Selic elevada, o que limitou a concessão de financiamentos e empurrou muitos compradores — especialmente da classe média — a postergar a decisão de compra de imóveis. Isso aconteceu porque o custo efetivo total dos financiamentos aumentou, tornando parcelas mensais menos acessíveis e reduzindo o alcance do crédito.

Segundo projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), os financiamentos imobiliários somaram cerca de R$ 140,1 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, o que representou uma queda significativa em relação ao ano anterior.

Expectativa de recuperação em 2026

Para 2026, o mercado projeta um cenário mais favorável para o crédito imobiliário da classe média. Estimativas da Cbic sugerem que o setor imobiliário pode crescer cerca de 10% nas vendas de imóveis, mesmo com juros ainda elevados, devido à demanda reprimida e às medidas que ampliam a oferta de crédito.

Uma das principais mudanças é a liberação de recursos adicionais no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) — cerca de R$ 35 a R$ 37 bilhões — que deve ser direcionada ao financiamento habitacional e pode ampliar a concessão de crédito.

Novas regras e maior acesso ao crédito

O governo federal anunciou um novo modelo de crédito imobiliário que moderniza regras do SBPE e do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), o que inclui o aumento do limite de financiamento de imóveis de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Isso amplia o acesso ao financiamento por famílias de classe média que antes tinham mais dificuldade em enquadrar seus projetos nas linhas de crédito tradicionais.

Além disso, programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vêm sendo ajustados com faixas voltadas à classe média, o que estimula ainda mais a participação desse segmento no mercado de crédito.

Impactos para a classe média e o setor

Especialistas apontam que cada ponto percentual de redução da Selic pode incluir cerca de 160 mil novas famílias no mercado de crédito imobiliário, ajudando compradores que estavam excluídos devido ao alto custo dos juros.

Contudo, o acesso ao crédito ainda não deve se normalizar de forma imediata. Enquanto o programa habitacional popular segue batendo recordes de vendas, o crédito para imóveis de médio e alto padrão continua mais restrito devido às taxas de juros ainda superiores e à cautela dos bancos em originar novos contratos.

Perspectivas para 2026

Para o mercado imobiliário como um todo, 2026 deve ser um ano marcado por tendências de recuperação do crédito imobiliário, maior participação da classe média e expansão das alternativas de financiamento. A expectativa de queda gradual da Selic ao longo do ano é um fator chave para aumentar a acessibilidade ao crédito e impulsionar tanto as vendas de imóveis quanto a construção civil nacional. 

WhatsApp