Perfil do comprador de imóveis no Brasil mostra predominância da classe B

Pesquisa mostra que o comprador típico busca imóveis usados de até R$ 500 mil, prioriza segurança, sustentabilidade e critérios práticos para morar com a família

Um levantamento recente sobre o perfil do comprador de imóveis no Brasil identificou um retrato claro do consumidor que está ativo no mercado: em geral, homens de cerca de 47 anos, pertencentes à classe B, com família formada e foco em aquisição de imóvel para moradia própria.

A pesquisa “Moradia do Amanhã – Compra”, conduzida pelo DataZAP, braço de inteligência imobiliária do Grupo OLX, envolveu entrevistas com potenciais compradores — pessoas que adquiriram ou planejam comprar um imóvel nos próximos 12 meses — e revelou que esse perfil representa o núcleo mais consistente da demanda atual no setor.

Preferências claras por valor e tipo de imóvel

Entre os dados apurados, destaca-se que a maioria dos compradores — cerca de 60% — prefere imóveis usados, muitas vezes em função da relação custo-benefício, localização mais consolidada e preço mais acessível.

A faixa de orçamento também é um elemento central da decisão de compra: 74% dos entrevistados pretendem investir até R$ 499 999 na aquisição, reforçando a tendência de busca por imóveis de valor mais moderado.

Na preferência por tipologia, as casas horizontais se destacam, escolhidas por 57% dos entrevistados, enquanto 33% optam por apartamentos, o que indica maior valorização de espaços com área externa e privacidade para famílias.

Localização, sustentabilidade e segurança em foco

Além do preço, a qualidade de vida e fatores ambientais passaram a influenciar fortemente a decisão de compra. Segundo a pesquisa, 91% dos entrevistados priorizam áreas com menor risco de enchentes, enquanto 59% valorizam a presença de áreas verdes. O acesso a transporte público ou opções de mobilidade ativa também é um critério importante para 58% dos compradores.

Itens como sistemas sustentáveis (captação de água, energia renovável) e acessibilidade (rampas e banheiros adaptados) também figuram entre as características desejadas, o que aponta para um consumidor mais consciente e atento a tendências de qualidade de vida e valorização futura do imóvel.

Financiamento e programas habitacionais influenciam decisões

Mesmo entre compradores de classe B, os programas habitacionais continuam a ter impacto nas decisões de aquisição: cerca de 45% consideram utilizar iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida, enquanto 60% relatam que as atuais condições de financiamento motivam a busca pelo imóvel próprio.

Esses fatores mostram que, além das preferências por tipo e valor de imóvel, aspectos financeiros e de política de crédito ainda pesam na hora da compra, especialmente em um cenário econômico em que o custo do financiamento e as condições de crédito influenciam diretamente a acessibilidade ao imóvel.

Tendências para o mercado imobiliário

O perfil identificado pelo estudo sugere que o mercado brasileiro está em fase de consolidação de uma demanda mais madura e pragmática, que prioriza moradia estável, segurança, custo acessível e fatores de qualidade de vida. Essa tendência pode orientar estratégias de corretores, incorporadoras e investidores para adequar produtos e campanhas às reais necessidades da maioria dos compradores atuais.

 

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