Recorde de lançamentos imobiliários em 2025 mostra oferta aquecida no Brasil

Dados consolidados apontam expansão histórica da oferta de imóveis, impulsionada principalmente por programas habitacionais e presença forte em grandes centros urbanos 

O mercado imobiliário brasileiro alcançou níveis recordes de lançamentos em 2025, impulsionando a oferta de novos imóveis residenciais em várias regiões do país. Levantamentos de entidades como a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que, até outubro, foram lançadas cerca de 161.709 unidades residenciais — um crescimento de mais de 30% em relação ao ano anterior. Esse desempenho reflete uma oferta mais diversificada e volumosa desde o início da série histórica do setor.

Habitação popular como motor do crescimento

Grande parte desse crescimento vem do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que voltou a desempenhar papel central na dinâmica do mercado. Até outubro, aproximadamente 85,9% dos lançamentos residenciais estavam associados ao programa, o que demonstra a importância das políticas públicas como vetor de expansão da oferta habitacional especialmente para famílias de baixa e média renda.

Em termos financeiros, os novos projetos imobiliários lançados somaram R$ 59,4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), valor que mostra não só mais unidades no mercado mas também maior volume financeiro transacionado no setor.

Crescimento nos grandes centros e novos polos

Nas grandes capitais, os recordes também aparecem com força. Em São Paulo, por exemplo, foram lançados mais de 150 mil apartamentos nos 12 meses encerrados em outubro de 2025, um crescimento expressivo em comparação ao período anterior e um indicativo da atividade intensa no maior mercado imobiliário do país.

Além das metrópoles tradicionais, novos polos regionais também despontaram no ranking de cidades com maior número de lançamentos e vendas, mostrando que a expansão imobiliária está se distribuindo pelo território brasileiro e não se concentrando apenas nos grandes centros.

Ajuste entre oferta e demanda

Embora a oferta tenha crescido de forma marcada, as vendas não acompanharam o mesmo ritmo de expansão em todos os segmentos, um fenômeno observado no comportamento de média e alta renda em partes do ano. Especialistas e dados setoriais indicam que parte desse movimento é resultado de ajustes de estoque em face dos juros ainda elevados e das condições de crédito mais restritivas, que tornaram alguns compradores mais cautelosos.

Perspectivas para 2026

A tendência apontada por analistas é de que, com possível redução gradual das taxas de juros e condições de financiamento mais acessíveis ao longo de 2026, parte do estoque de imóveis lançados em 2025 deve encontrar maior demanda, impulsionando o equilíbrio entre oferta e procura. Além disso, a consolidação de polos regionais e a diversificação do perfil de empreendimentos — com presença forte tanto da habitação popular quanto do segmento de médio e alto padrão — indicam um cenário mais robusto e resiliente para o setor imobiliário brasileiro nos próximos anos.

 

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