Segmento de imóveis voltados à locação atrai fundos
e investidores institucionais, consolida modelo multifamily no Brasil e reforça
o aluguel como estratégia de renda recorrente no mercado imobiliário.
O mercado brasileiro de residenciais para renda
encerrou 2025 com R$ 1,1 bilhão em investimentos, registrando o segundo
maior volume dos últimos dez anos. O resultado confirma o avanço gradual do
segmento no país e evidencia o interesse crescente de fundos imobiliários e
investidores institucionais por ativos voltados à geração de renda com locação.
Apesar do crescimento, o residencial para renda
ainda representa cerca de 3% do total dos investimentos imobiliários
realizados no ano, ficando atrás de segmentos como galpões logísticos,
shoppings e escritórios. Ainda assim, especialistas apontam que o desempenho de
2025 reforça a consolidação desse tipo de ativo como alternativa estratégica
dentro de portfólios diversificados.
Modelo multifamily avança no
Brasil
O destaque do segmento está no avanço do modelo multifamily,
caracterizado por empreendimentos residenciais desenvolvidos e operados
exclusivamente para locação. Embora o pico de investimentos tenha ocorrido em
2021, quando os aportes superaram R$ 2,7 bilhões, o volume registrado em 2025
indica que o mercado passa por um momento de ajuste e amadurecimento, e
não de retração.
Fundos imobiliários concentraram a maior parte dos
investimentos no período, respondendo por aproximadamente 70% dos aportes,
enquanto gestoras e investidores institucionais ampliaram sua presença em
operações estruturadas, muitas vezes em parceria com incorporadoras.
Renda recorrente e visão de longo
prazo
A atratividade do residencial para renda está
diretamente ligada à busca por fluxo de caixa previsível, menor
volatilidade e potencial de valorização no longo prazo. Com o aluguel
residencial apresentando alta real nos últimos anos, o segmento passou a ser
visto como uma alternativa consistente frente a outros ativos imobiliários mais
sensíveis ao ciclo econômico.
Além disso, a profissionalização da gestão, a
padronização das unidades e a oferta de serviços agregados têm contribuído para
melhorar a eficiência operacional dos empreendimentos multifamily, elevando a
atratividade do modelo tanto para investidores quanto para moradores.
Cenário econômico influencia
perspectivas
A expectativa de redução gradual das taxas de
juros a partir de 2026 surge como um fator adicional de estímulo ao setor.
Com crédito mais acessível e menor custo de capital, a tendência é de aumento
no apetite por novos projetos residenciais voltados à renda, especialmente em
grandes centros urbanos e regiões metropolitanas.
Analistas avaliam que, mesmo ainda distante do
protagonismo observado em mercados mais maduros, o residencial para renda no
Brasil segue em trajetória de crescimento e deve ganhar relevância nos próximos
anos, acompanhando mudanças no comportamento de moradia e investimento.